domingo, 5 de abril de 2009

Nostalgia

Quem tem a infelicidade de me conhecer, sabe que eu sou uma pessoa extremamente nostálgica, saudosista, e estranhamente, utópica.
Consigo imaginar com uma facilidade absurda um passado que vivi e ao qual adoraria pertencer novamente. O estranho é que gostaria de usufruir do mesmo, permanecendo com as coisas que adquiri de lá até aqui.
Ainda posso sentir com uma estranheza de detalhes de certa forma, apavorante, o cheiro do ar das ruas por onde andava aos dezessete anos, as horas a fio deitado na grama, como se o futuro não estivesse me espreitando atrás de uma moita, prestes a dar o bote. Um senhor filho da puta!
Ele vem sem avisar e pega você de calças baixas. Quando há algo pra perceber, já é tarde demais e você está envolto naqueles problemas onde uma palavra sua é a maior armadilha de onde você provavelmente vai levar muito mais tempo pra sair. E o Sr. Futuro faz isso sucessivas vezes, na tentativa – comigo, falha, por sinal – de que você esqueça como era o seu passado e se adapte a esta nova rotina.

Coitado.

Eu continuo correndo contra o tempo, mesmo sabendo que a jogada certa é abraçá-lo como amigo. Permaneço sentindo aquele desejo imenso de agir diferente de todo mundo e com isso imitar a massa de uma maneira estranha… Me perguntando como as pessoas que realmente cogitam que o importante é agir como os outros chegam aos mesmos caminhos aos quais eu chego.

Como eram bons aqueles tempos passados… Nem nos tempos antes deles eu precisava pensar.

Acho que é porque toda vez que penso no tempo que ficou para trás, imagino uma faixa pontilhada no meio da auto-estrada, marcando incessantemente tudo aquilo que já passou.

É… Definitivamente o tempo é uma medida de espaço.
Esse sufoco que o diga.

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