segunda-feira, 13 de abril de 2009

Deixa eu ver se entendi…

Desde o pós-segunda guerra mundial até a metade da década de 50, o marketing era visto como um estudo para os canais onde os produtos deveriam ser distribuidos, já que todo produto era feito para atender à demanda do mesmo porque tava rolando a tal da época de escassez dos produtos.
Daí, no início da década de 60 rolou uma fortificada na economia, a concorrência aumentou, aí começaram a tratar o marketing como uma disciplina aplicada dentro do campo da ciência comportamental, onde o objeto de análise eram as relações entre comprador e vendedor.

Então, alguém achou que seria mais esperto fazer logo um monte de unidades do mesmo produto, estocar e empurrar pro consumidor, o que deve ter dado errado depois de algum tempo, porque um outro espertão achou que o melhor seria “estudar” o que deviam estocar e o que não deviam e você sabe como é o mundo, né?! Alguma lábia e dá pra fazer com que todo mundo faça do jeito que você quer…
Só que, a idéia era boa mas precisava ser aperfeiçoada, então, alguém fez uma tabela e… Deus sabe como tudo fica mais fácil quando alguém faz uma tabela (com gráficos também facilita muito a vida). Essa tal tabela só orientava as pessoas a fazer o que esperava-se que elas já soubessem fazer: Tocar o seu negócio com honestidade, dignidade, sem estar matando ou roubando (ou não). Basicamente era o seguinte: Você tinha que marcar seus clientes como se todos fossem um daqueles alvos onde a gente atira dardos, saca?! Tipo… Rolava uma pesquisinha de mercado e pá, rapidão você sabia qual eram os clientes que precisava atingir e quais não te interessavam. Aí você montava uma fórmula estratégica pra atingir esse povo logo após definir muito bem qual era o seu produto, com isso você podia fazer uma coisa que os publicitários, marketeiros e os sem-vergonha chamam de Mix de Marketing, que nada mais é do que definir o produto a ser lançado, escolher aonde lançar, como é que você vai mandar pra esses lugar e como vai fazer as pessoas saberem que ele está lá pronto pra ser comprado. Depois disso tudo pronto, era só ficar de olho nos concorrentes, ir se planejando pra não ficar na mão, botando seus planos em prática e se organizando e controlando pra não fazer burraldice.
Chamaram essa tal tabela de “Esquema do processo de marketing e a orientação para o mercado”. Nome bonito!

Pois é… Aí, vieram as eras da produção, das vendas e do marketing. As duas primeiras visavam ser eficientes e vender bagaralho, já a terceira queria um pouco mais. Ela queria criar necessidades e desejo, tal como uma mulher voluptosa encaixada num pequenino vestido vermelho. Pra isso, ela se empenhava em ser a mais fodona. Ela queria transmitir seus valores pros clientes. Utilizando da estratégia chamada 4 P’s (ou #quatropês) onde o cidadão decidia qual PRODUTO queria vender, determinava o PREÇO que ia cobrar, escolhia quais os melhores PONTOS DE VENDA e por fim fazia sua PROPAGANDINHA básica…

Com o passar do tempo (e com muitas pessoas esforçadas estudando, dando o melhor de si) percebeu-se que alguns produtos tem a vida limitada, que triste. SNIF! o que requer sempre novos produtos no portfólio da empresa, saca?! Então as empresas começaram a buscar novas soluções pra acabar com este mal que assolava as aldeias de produtos indefesos…

Foi nesse cenário aterrorador para os pobres produtos, que o marketing passou a ser visto como um facilitador nas transações comerciais. Era quase como KY na hora do… bem… deixa pra lá.
Ele passou a organizar quais as ferramentas eram necessárias para uma digievolução lucrativa dentro de cada empresa, tipo os fluxos de produtos, serviços, comunicação, pedidos e pagamentos e também nomeou alguns facilitadores no trabalho geral como por exemplo transportadoras, seguradoras…

Eis que então, o mundo saiu da era da competição e penetrou na era da colaboração estratégica, onde as maiores dificuldades eram as rápidas mudanças (oi, internet!), a falta de gente que sabe fazer a poha toda bem feita e os clientes se tornando bem mais insuportáveis exigentes.
As empresas passaram a utilizar-se da colaboração entre os clientes, os fornecedores, os distribuidores e até mesmo os concorrentes que são as pessoas que copiaram a sua idéia na hora de montar uma empresa no trabalho semestral da disciplina de empreendedorismo. O resultado dessa união toda foi que surgiram muitas novas estruturas de organização empresarial e muito mais gente pra sair junto caminhando e cantando e seguindo a canção.
As empresas entraram numa competição apenas por redes que gerou mais eficiência e cada um ficava no seu quadrado de especialização, os custos eram menores porque todo o time tava junto.

Nessas uniões, porém, nem tudo era um mar de rosas com perfume de Albany. A criação das alianças fez muita gente refletir uma porrada de coisas, como por exemplo, “quem vai mandar na porra toda?”. Outras questões levantadas eram o que mantinha uma empresa fazendo a outra feliz, pra continuarem juntinhas e logo se percebeu que pra trabalharem juntas precisavam ser amiguinhas e abrir mão de algumas coisas, de vez em quando.

Mas como o ser humano é um bixo mais complicado que entender a linha do tempo de Lost, logo começaram a surgir as crises que precisavam ser podadas, estabelecendo-se então, algumas normas sociais. Coisinha simples… Alguém disse “Olha, grandes empresas. Assim tá foda pra caralho muito dificil. Vocês precisam ser mais solidários, mais mútuos, mais flexíveis, precisam definir com mais clareza qual é o papel de cada um e precisam saber como vão adm. os conflitos“. Assim, muitos problemas foram resolvidos.

Era então, a hora de avaliar a estratégia de colaboração. Decidiu-se que precisavam focar em suas próprias competências e mamar nas tetas dos seus parceiros quando for a hora deles suarem a camisa. Precisavam também, definir o que era mais importante, porque se rompessem a parceria, podia dar merda no resto todo. E precisavam definir os motivos que os levassem a parceirizar-se. Tipo… você confia no grupo do lado? O ambiente tá de boa pra fazer parceria? Isso vai deixar a sua empresa mais fodona? Mudanças organizacionais pelas quais terá de passar? Qual o final de Lost?

Bem… Acho que entendi a primeira parte do todo, vamos ver o resto!