segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro

A história que vou contar a seguir, não é para os de estômago ou coração fraco. Ela é para os desacreditados na força da semente de um grande amor que surge dentro de uma amizade.

Duda segurou a respiração! A multidão abriu um corredor entre ele e Luna, mesmo sem parecer ter ciência nenhuma daquilo.
Ela o encarava de frente, enquanto ele sentia o suor escorrer pelas mãos e via as muitas pessoas voltarem a caminhar normalmente.
Duda tinha certeza que aquele momento tinha sido a prova real da existência de uma força divina. Ele não precisava de mais que três segundos, o tempo exato em que as várias pessoas presentes na feira deixaram de caminhar entre os dois, para perceber o que sempre guardara pra si mesmo, Luna era a menina que ele queria - e querer aqui, tem o sentido de desejar, amar algo ou alguém profundamente - e ele não queria mais esperar.

Atravessou a multidão aos trancos, sentindo como se estivessem novamente protegendo o tesouro que lhe revelaram. Os olhares se cruzaram novamente e logo depois... um sorriso.
Luna costumava sorrir pra ele quando sentia que ele estava realizando alguma coisa potencialmente romântica e idiota, ela adorava isso nele. Era como se não ligasse pro mundo.
E ele adorava que ela adorasse isso...

Parou na frente da garota, quase sem fôlego e admirou-a da cabeça aos pés. Ela usava um All Star rosa, uma saia jeans de pregas pouco abaixo do joelho e uma camiseta sem mangas, com listras brancas, rosadas e com as alças do soutien a amostra. Os cabelos estava presos dos lados, com presilhas em forma de botão. Parecia a personagem de um desenho animado.

Ele queria dizer as muitas coisas que pensava em forma de poesia, mas só conseguiu balbuciar algo como "vem?".

Era a segunda vez que a banda tocava a mesma música essa noite, mas ele estava decidido que agora era para os dois. Passou a mão por trás dos cabelos dela, pigarreou baixinho e então disse "Quer algodão doce?", Luna sorriu... "Só se você dividir comigo!", Duda enrubesceu, "eu poderia dar algumas mordidas!".

Caminharam por alguns minutos, se divertiram em alguns brinquedos e quando a chuva começou, sentaram-se sobre um pequeno morro grameado, cercado por algumas grandes pedras. Duda olhou pra Luna, para o céu e novamente para a garota, e ela retribuiu o olhar, séria, tensa. Lá embaixo, na feira, a banda tocava a mesma música mais uma vez. A música dos dois!

Então... Ele passou novamente a mão por trás dos cabelos dela, trouxe o rosto dela para mais perto do seu e o que aconteceu a seguir eu não posso revelar. Eu não estava lá e mesmo que tivesse, acho que teria me retirado nesse momento. E ainda assim, se não tivesse me retirado, eu não iria contar a vocês que os dois deram um beijo que durou muito, muito tempo e selou enfim, uma nova etapa na relação de seis anos de amizade, que era mais um namoro em segredo para ambos. Os dois resistiam em admitir, mas souberam desde a primeira vez que ele derrubou o aquário dela numa apresentação - sim, ele fez isso duas vezes! - na aula de biologia que aquilo que sentiam não era só amizade.

Pra ser mais específico, eu posso afirmar que de onde eu vi - escondido sobre uma grande pedra cinza, pouco atrás do casal - a lua artificial da decoração da feira, feita de várias lâmpadas incandescentes, mantinha ambos num clima de amor eterno. E não tenho vergonha de dizer, que mesmo tendo se passado tantos anos, Duda Rangel e Luna Bastos continuam juntos como sempre estiveram, desde de vinte seis de abril de dois mil e dois.

Um verdadeiro amor eterno, que não ousou acabar mesmo com os conflitos, as lágrimas e a divergência no estilo literário brasileiro preferido.

Ao som de Signal Fire; Snow Patrol