quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte I

Antes de começar, aviso que o texto a seguir contém spoilers. Leia por sua conta e risco.



Eu pude ver o filme na primeira sessão de exibição ao público aberto, em Brasília, e minha nossa... que filme...


Começa com uma cena que é exclusividade da versão cinematográfica, aonde Hermione apaga a memória de seus pais para partir com os amigos em busca da aniquilação d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Essa cena foi um pedido do diretor do filme, David Yates, ao roteirista Steve Kloves, uma vez que no livro a passagem era mencionada e acredito que tenha contribuido com o clima de "fim da inocência" que permeia todo a película. 

E por falar em roteiro, ouso dizer que Kloves acertou pela primeira vez na série, cuidando da essencialidade do que é visto em tela, retirando excessos ou adaptando trechos de maneiras tão criativas que em algumas ocasiões, talvez tenham ficado melhores que em suas versões literárias (Edwiges, estou olhando para você).


A bem da verdade, o filme impressiona, e muito. Arrebata o humor do expectador e depois o faz querer abraçar o companheiro da poltrona ao lado, para o consolar ou para ser consolado.



Em Harry Potter e as Relíquias da Morte, acompanhamos o começo da busca pelos artefatos aonde Voldemort depositou partes de sua alma, e que torna semi-impossível enviá-lo para o inferno profundo. E é essa busca que dá ao filme o ar de road movie. Não existem mais as paredes da escola para impedir a ação dos personagens e os problemas estão por todos os lugares, literalmente.

Recheado de frases de efeito e com um novo diretor de fotografia (Eduardo Serra, diretor de fotografia do maravilhoso Diamante de Sangue) o filme ganha um visual intenso, frenético, nostálgico e cheio de vida, principalmente se comparado ao filme anterior da franquia, que sofre por ser o trecho da história que carrega as explicações para as partes finais da série.




Já a impressão que tive ao contemplar a trilha à parte do filme, foi que Alexandre Desplat (dono da excelente trilha de Lua Nova) quis homenagear Williams, e brincar com a melancolia que assombra todo jovem ao se deparar com a lógica do crescimento, do amadurecimento; aonde tudo, mesmo as maiores dores, deixa de habitar o plano lúdico e passar a fazer parte da história escrita por cada um de nós. Aquela aonde somos autores e protagonistas, aonde o sucesso de vendas e o final feliz depende de nós e somente de nós.

Não há mais aquele clima de descoberta a cada vôo de vassoura, a cada magia nunca antes vista, a cada artefato bruxo inexistente no mundo trouxa. Só há a crua realidade, fazendo a vida ser recheada de toda sorte de sentimentos nunca antes experimentados. Do tédio ao tesão!



Harry Potter e as Relíquias da Morte é, provavelmente, o melhor filme da série. Reapresenta personagens, traz os já queridos e conhecidos vilões e mocinhos, provoca o expectador e deixa o incrível desejo de que a magia fosse real, para que pudéssemos trazer julho, quando estreia a parte dois, para mais perto.

Eu recomendo. É de cuho obrigatório.