quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parem o mundo que eu quero me atualizar!


Em conversa recente com a amiga e colunista do PoucoPop, Patricia Melo, chegamos à conclusão (mesmo que nenhum de nós tenha expressado isso em palavras) que o cinema, a televisão e as editoras andam produzindo mais do que nunca. Estamos numa era de overdose de informação e ainda não sabemos muito bem como lidar com isso.Para entender isso um pouco melhor, vou trazer a perspectiva para o ponto de vista da minha pessoa, assim, como quem não quer nada.

Eu, como todo nerd que se preze, gosto de estar bem atualizado. Gosto de ver bons filmes e seriados (e às vezes, os ruins também), ler bons livros e quadrinhos (aqui vale a mesma regra), gosto de saber o que se passa com o mundo. O fato é que, enquanto escrevo esse texto, o ícone do Google Reader que eu implantei no meu navegador, para que as notícias que leio não se acumulassem, está pulsando ali, com mais de 50 novas notícias, mesmo que eu tenha marcado tudo como lido lido uma por uma para saber do que se tratavam há menos de duas horas.


Em meu perfil do Filmow eu tenho marcado como filmes que eu quero ver somente 1.000 películas. Isso mesmo. Duvida? Clica aqui então! O mais engraçado da situação é que, ao visitar meu perfil pra copiar o link percebi que já ultrapassei a marca dos 1.000 filmes. Recentemente eu andei vendo vários dos filmes que eu queria pra reduzir o número. Pulei de 587 filmes vistos para 610 e no entanto, os filmes que eu quero ver nunca diminuem.

Quanto ao número de séries? Acho que nem vou brincar de falar sobre isso... Tenho acompanhado recentemente apenas séries com temporadas completas lá fora ou que já tenham sido encerradas (ou a palavra que eu não gosto de usar, canceladas), como Supernatural e Friends. A idéia era que nas férias eu me colocasse em dia com as séries que quero acompanhar e encerrar de uma vez por todas as que já comecei a ver e ainda não terminei. Então no perfil consta que estou vendo 23 séries, mas ainda não marquei as que eu pretendia começar a ver. É uma confusão tremenda de coisas nas quais quero me atualizar que nem sei por onde partir.

No mundo da literatura é mais fácil manter-se em dia. Livros bons não são lançados assim, com tanta frequência, e os livros ruins a gente sempre acaba terminando mais rápido ou abandonando de vez (me orgulho em dizer que NUNCA abandonei um livro, nem mesmo "Os Ratos"). Sem contar que com relação aos livros, o ser humano meio que já se conformou que uma vida inteira não é suficiente para ler a todos eles (diferente do que imaginamos com as séries de Tv). Só que isso não impede que na minha estante tenham no mínimo 15 títulos que comprei em alguma promoção na internet e ainda não tive tempo de ler. E assim, no meu perfil do Skoob, acumulam-se mais de 90 livros que desejo ler. Isso sem contar os que estou lendo e relendo.

Recentemente comecei também a acompanhar algumas HQ's, e tentar ler outras consideradas clássicas, como Batman - O Cavaleiro das Trevas ou Superman, Identidade Secreta (que comecei a ler em 2006 e nunca terminei, como você pode ver aqui). Então, lá se vão mais minutos, horas e dias gastos com páginas de quadrinhos.

É claro, a tecnologia é um facilitador do acesso a essas várias obras que desejamos conhecer, com a cultura contemporânea de encontrar tudo a um clique de distância. Sem contar que com a evolução do processo de produção ficou mais barato ter acesso a obras que antes só chegariam a nossas mãos por um preço bem mais salgado, como livros por preço promocional com promoções cumulativas que nos forçam a levar pra casa (ou mandar entregar por lá) mais volumes do que realmente precisamos. Essa é, no entanto, uma via de mão dupla. Diferente das gerações passadas, que precisavam de uma viagem ao exterior pra botar as mãos num LP novo do The Clash, nos temos tudo aqui e agora (inclusive o álbum do Clash que era novo naquela época), mas fica a sensação inevitável de que não há tempo para consumir tudo o que desejamos.

Hoje é possível assistir a um episódio do seu seriado predileto no celular, enquanto espera o ônibus chegar ao seu destino, e na via de contramão fica a questão de se estamos assistindo às coisas certas.

O que me persegue as vezes é a dúvida de que, se eu passo tanto tempo ocupando minha mente com cultura pop e afins, será que estou olhando para o que realmente importa? Será que não estou só fechando os olhos para o sofrimento alheio, será que não estou perdendo a mudança das estações do ano, pela janela do ônibus? Será que estou me atualizando com as coisas certas?

Com tanta coisa diferente para consumir, será que eu ainda estou fazendo a diferença?

PS: Enquanto escrevia o texto, mais de 20 notícias surgiram no ícone do Google Reader.