terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac...
Ela nunca gostou desse barulho, tirava a sua concentração. Se estivesse escrevendo ou se quisesse dormir, o barulho não deixava... a frequência, a sequência, ficavam ali, atormentando-a, mostrando o quanto ela estava sozinha.
Ela nunca gostou do silêncio, seus pensamentos tomavam conta do ambiente e aí não podiam mais ser controlados. E ela já sabia que às vezes (na maioria das vezes) o que ela pensa não é bom, ao menos não no conceito geral.
Ela também não gostava muito das pessoas, não ligava de verdade pra opinião alheia, não sentia realmente falta delas, não gostava mesmo de falar com todo mundo. Ela só fazia, dizia e fingia sentir o que os outros esperavam.
Ela desapontava as pessoas, não era um exemplo de menina. Não dormia cedo, não comia coisas saudáveis, fumava, bebia, ia contra as regras só pelo prazer de poder quebrá-las. Ela podia fazer isso, ela podia fazer o que quisesse. Ela era livre.
E não havia mais nada que a motivasse além dessa sensação. Ela voava em seus pensamentos, conhecia lugares incríveis e pessoas maravilhosas, fazia amigos e experimentava coisas novas.
Era uma garota feliz. Por viver assim.
E um dia, de repente, alguma coisa aconteceu. Ela não quis mais aquilo, viver a vida como vivia, fazer as coisas que fazia.
Se fechou dentro de si, se isolou do mundo... e ficava ali, trancafiada.
O único companheiro era o seu relógio, que vigiava sempre pra não se perder completamente da realidade...
Aquele barulho enlouquecedor era, pra ela, a única certeza de que ainda estava viva...
Tic.
Tac.
Tic.
Tac.