terça-feira, 2 de abril de 2013

Dia Internacional da Literatura Infantil

Hoje é o Dia Internacional da Literatura Infantil, e a data é uma homenagem ao escritor de histórias infantis, Hans Christian Andersen, famoso autor de clássicos como O Patinho Feio, A Pequena Sereia, O Soldadinho de Chumbo, A Princesa e a Ervilha, entre vários outros. Daí, a amiga Éricka Cristina, autora do totalmente excelente Não Era Amor, Era Cilada, que trabalhou comigo na Livraria Cultura, veio me obrigar a fazer um texto de livre e espontânea vontade sobre a Literatura Infantil. 

Então vamos lá.

Pensei em fazer uma lista com bons livros, mas vai ficar para depois. Hoje eu quero chamar a atenção para outra coisa relacionadíssima com a literatura infantil e que acho mais importante do que simplesmente dar livros de presente.

Eu estava ali, dobrando umas roupas e pensando no meu primo pequeno, que preferiu não ir ao cinema com os pais e os dois irmãos, um mais velho e um mais novo, assistir uma animação em 3D, experiência inédita para ele. Daí me peguei pensando em mim quando criança, perturbando meu padrasto para fazer todas as infinitas coisas que ele abria a boca para prometer que faríamos, como promessa de adulto, sabe?! Pois é, ele se arrependia de cada uma delas. Eu o fazia sairmos para pescar, andar de bicicleta, ir ao clube, ao McDonald's, ao parque de diversões, entre outras muitas atividades. E daí me peguei pensando que hoje em dia eu não sou mais assim, eu tenho medo. Assim como meu primo teve da nova experiência. Não é um medo racional, do tipo "Ai meu Deus, vai que os óculos 3D devoram minha cabeça", mas um medo do novo, do desconhecido.

Acho que nunca comentei por aqui, mas eu odeio muito o Jim Carrey. Sério. Para mim, só 3 dos filmes deles se salvam. Acontece que, eu e a patroa fomos ao cinema no começo de janeiro de 2009, e a gente ia ver qualquer coisa, menos o filme que acabou assistindo. Por uma confusão de horários, acabamos indo parar na sala de Sim Senhor!, que é um dos três filmes que prestam do ator. Bem, acontece que o filme era uma aula para mim, como se o destino tivesse me posto ali para aprender um pouco... Esse filme conta a história de um cara que, cansado de perder oportunidades na vida, começa a dizer Sim para tudo, por um ano. Ele nunca recusa um convite, para nada, o que acaba o colocando em diversas situações bizarras, mas também o faz encontrar o amor de sua vida. E era bem aí que eu queria chegar...


Trabalhei por quase um ano inteiro atendendo pais, mães e crianças (além de tios, avós, cunhados, sobrinhas, professores) que queria fazer com que as crianças lessem mas não sabiam como. E quando eu perguntava a essas pessoas o que elas gostavam de ler, eu ouvia bastante "eu não gosto muito de ler não, mas como ele ainda é novo, pode aprender". Eu sorria e tentava indicar algo, afinal precisava do emprego para me sustentar, mas a minha vontade era de dizer "então esqueça, se ele não lê, a culpa é sua". Não é à toa que uma pesquisa recente da Unesco apontou que no nosso país a média de livros lido por ano é de apenas 1, sendo que no Chile e na Argentina a média é de 5 livros. Crianças são criadas pelo exemplo e, se elas não veem os pais lendo, não vão fazê-lo também. Se o seu filho é uma exceção à regra, abençoado seja o seu lar! Parem e reflitam um instantinho... vocês estão dando a essas crianças a atenção que elas merecem?

Mas não para por aí, não é só de atenção que elas precisam. Tenham certeza que estão prontos para a jornada. Isso mesmo, tipo em O Senhor dos Anéis. Estejam prontos para irem aos parques de diversão, hospitais, lagos, torres de tv, bancos, praças, bosques, clubes, praias, telhado do prédio. Dêem a eles a maior bagagem possível, façam os conhecer de tudo e provar todos os sabores possíveis, não se acostumem a dizer "Não" para as novas oportunidades. Encarem a jornada com força, coragem e muita diversão. Por quê? Porque só assim a leitura dos seus filhos vai ser prazerosa. Uma criança com bagagem aproveita muito mais os livros, a vida. Por ter infinitos possíveis cenários com que comparar o que lê, para assemelhar e criar. Deem aos seus filhos quadrinhos, livros com ilustrações, livros sem ilustrações, livros com palavras e livros sem palavras, deem histórias antes de dormir, boas histórias lidas e também as inventadas (ou vividas, por você ou seus pais). Presenteiem as crianças com amor, cultura e  NUNCA, ABSOLUTAMENTE NUNCA subestimem sua capacidade de imaginar, de produzir, de entender. Só assim você estará formando um leitor completo!

Quanto a mim? Prometi a mim mesmo recusar menos oportunidades de agora em diante. Quero ter bagagem para compartilhar com os filhos que pretendo ter, mas isso é outra história.

E só para ajudar que leu até aqui e quer presentear com um livro, aí vão boas dica de livros infantis, no link dos 30 melhores livros do ano passado, eleitos pela Revista Crescer. E aqui, a lista da Folha.com com os melhores livros eleitos por especialistas.

Eu recomendo fortemente os livros do Pedro Bandeira, da Eva Furnari, Ana Maria Machado, Tino Freitas e Monteiro Lobato. São ótimas compras, sem ter como errar.