quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Problema do Efeito Retrovisor

Eu sempre tive de ser seletivo.
Filho único, mãe solteira, ter muito brinquedo era realidade apenas em datas muitíssimo comemorativas. Fora delas eu tinha que escolher bem o brinquedo que pretendia ganhar, e as leis de mercado me seguiam desde os primórdios tempos.

Graças a Deus nunca me faltou nada, minha mãe sempre se desdobrou em três para satisfazer o mimo da criança que era eu, abençoada seja Ela; no entanto, a regra básica era a do custo/benefício. Quanto choro aquele brinquedo querido ia custar e será que realmente ele valeria todo o esforço.
Eu quase sempre errava e o esforço era em vão. Brinquedo na mão e a frustração de ter escolhido a opção errada.
Mais uma lei pra aprender, essa, da publicidade... "Nada é tão bom quanto aquilo que você não tem".
E assim a infância veio e se foi.

Durante a adolescência, as escolhas passaram a ser mais fáceis.
Eu tinha que decidir não o que comprar, mas para onde ir. E eu ia aonde a galera ia.
O drama nessa fase era escolher para onde não ir, quando o dinheiro era pouco. "Vejo o filme do momento ou vou à festinha no fim do mês?".
Graças a Deus, aqui, eu soube escolher melhor. Eu optei por ir ao cinema e não precisei ver, durante a festa na escola, aquela pura, ingênua e doce menina que eu tanto amava, num excessivo movimento oscilador de corpos num canto sujo da quadra de basquete, como se a espécie humana fosse entrar em extinção a qualquer momento e a única maneira de sobreviver fosse propagando o DNA dela pela garganta repleta de saliva e mitocôndrias de um indivíduo que certamente não era eu!

Foi uma fase de escolhas mais tênues também, porque de certa forma aquela competitividade da infância ("meu brinquedo é mais brincável do que o seu") tinha dado um tempo (até virarmos adultos) e entre o meu círculo de amigos, éramos iguais. Adolescentes sem nenhum trocado, desesperados pra se divertir numa cidade onde a maior diversão de todas é tomar banho de chuva, lugar onde, irônicamente, nunca chove.

Aí, veio a fase adulta!
Ou ao menos era para ter vindo...
Continuo aqui, sem saber o que fazer da vida, ou como fazer o que escolhi para ser feito.
Eu penso no amanhã e temo. Penso no ontem e temo. Penso no agora e descubro que penso demais...
Não sei se as escolhas são assim mesmo, tão difíceis; ou se eu sou um completo medroso (pra não dizer "um tremendo cuzão") que tem medo de tomar o caminho errado e me arrepender, como quando criança.

De certo nisso tudo é que... Fora a crise econômica, toda decisão tomada tem metade das chances de dar certo. A outra metade, é... bem, você sempre pode tentar novamente.
Mas é na certeza do acerto que vou aprender a apostar.
Sem medo.
Sem vacilar.
Afinal, são sempre muitas alternativas, mas no fundo, a vida é uma escolha só, bem simples...


Você toma um caminho e não olha pra trás.